

Se você quer saber para onde a Bolsa vai em 2026, primeiro precisa encarar as cicatrizes de 2025. Foi um ano pedagógico na marra: vimos empresas centenárias quebrando, bancos liquidados por fraude e gestões renomadas perdendo bilhões em trades especulativos. Quem não aprende com esses erros está apenas esperando a próxima cilada.
Na opinião do Fundamentei, o Ibovespa tende a superar os 200 mil pontos em 2026 devido à correlação histórica com a queda da Selic para patamares abaixo dos dois dígitos, mas essa tese é invalidada caso o descontrole fiscal brasileiro impeça o ciclo de cortes ou ocorra uma nova crise global. Independentemente do cenário, o investidor inteligente sabe que o patrimônio dele deve estar em ativos de alta qualidade.
Muitos investidores amam caçar lixo na Bolsa de Valores achando que encontraram uma mina de ouro escondida. Em 2025, vimos os casos bizarros da Teka e da Oi (OIBR4), que tiveram a falência decretada e revertida pela justiça em questão de dias.
No Brasil, o rolo jurídico é infinito. Credores como Itaú e Bradesco, por exemplo, pediram o cancelamento da falência da Oi para manter o "cadáver" em operação e tentar reaver frações da dívida do que aceitar o prejuízo total. Na metodologia do Fundamentei, investir nas ações em recuperação judicial é correr um risco desnecessário, onde o minoritário é sempre o último da fila. Na dúvida, fique longe do que precisa de juiz para operar.
Vimos uma enxurrada de RJs e Chapter 11 em 2025: Azul (AZUL53), Gol (GOLL54), Agrogalaxy (AGXY3), Ambipar (AMBP3) e Bombril (BOBR3). Mas o que realmente importa é a métrica da diluição. Azul e Gol realizaram emissões massivas de capital (trilhões de ações!).
O agrupamento de 10.000 para 1 na Azul não é um ajuste estético; é o atestado final de que o capital do minoritário foi pulverizado. Se a empresa precisa emitir milhões de ações para não fechar as portas, o seu dinheiro ali já virou pó.
Se a empresa começa a adiar balanço, como a Sequoia (SEQL3) fez mais de 10 vezes em 2025, fuja! A Resolução CVM 207 estipula multas de 500 a 1.000 reais por dia de atraso. Para uma empresa listada, isso é um troco, mas para o mercado, é um sinal de que a auditoria não quer assinar o cheque ou que o operacional está em frangalhos. É obrigação de uma empresa listada em Bolsa divulgar os balanços no prazo, pois sem balanço não tem análise. E se não tem análise, como você vai saber se a empresa merece ou não o seu dinheiro? Não dá.
Outro sinal amarelo: a mudança brusca de foco. A Méliuz (CASH3) virando empresa de Bitcoin após anos tentando gerar valor com o modelo de cashback é a gestão admitindo que não sabe para onde ir. Quando o negócio principal não vira e a gestão pula para a moda da vez, o investidor está apenas financiando a indecisão alheia. E pior: ela ainda conseguiu captar milhões de reais na sua última emissão de ações, justamente com o objetivo de comprar Bitcoin. É impressionante como o investidor brasileiro gosta de ser iludido, infelizmente.
Dois casos de gestão que ensinam mais que qualquer MBA:
A Cosan (CSAN3) tentou fazer trade com ações da Vale no topo do ciclo e amargou um prejuízo de 9 bilhões de reais! É a prova de que até gestões consideradas boas (muitas vezes geniais) se perdem quando tentam especular com o dinheiro do acionista em vez de focar no operacional. E, para piorar, a Raízen (RAIZ4), a principal empresa do grupo, está numa crise gravíssima no momento, sem luz no fim do túnel.
A Natura (NATU3) vendeu a Avon Internacional por 1 libra. Parece um péssimo negócio, mas foi brilhante: estancou uma sangria de quase 1 bilhão de reais por ano em mercados que a empresa nunca dominou. Às vezes, vender por nada é economizar bilhões no longo prazo. A operação da Avon na América Latina segue com a Natura.
O investidor de 2026 precisa entender a nova contabilidade:
Absorção de Prejuízos: A Minerva (BEEF3) usou o capital social para zerar prejuízos acumulados. Isso não gera caixa, mas limpa o balanço para permitir a volta dos dividendos.
PNs Resgatáveis: Localiza (RENT3) e Cyrela (CYRE3) estão testando ações resgatáveis para fugir da nova tributação de 10% sobre dividendos acima de 50 mil reais. É a engenharia financeira tentando proteger o retorno do sócio frente à voracidade fiscal. Apesar da regra do Novo Mercado não permitir a emissão de ações PNs, a B3 abriu essa exceção.
O caso Master foi o maior choque de 2025. Fraude estimada em 12 bilhões de reais, liquidação extrajudicial e suspeitas de envolvimento com esquemas criminosos.
O mercado diz: O FGC garante até 250 mil reais, então o risco é zero.
A Realidade: O FGC demorou dois meses para começar a pagar. Nesse período, o capital ficou travado e sem rendimento. A agonia de não saber quando o FGC ia pagar aterrorizou muitos investidores nas últimas semanas. O caso do Banco Master foi tão grave que gigantes como a Oncoclínicas (ONCO3) deram baixa de centenas de milhões em CDBs do Master, amargando prejuízos multimilionários.
Aprendizado: Renda fixa é para segurança. Não aceite risco de crédito alto na parte da sua carteira que é para te gerar paz e não estresse, ainda mais por causa de 2% a mais de rentabilidade. O Banco Master provou que não se deve brincar com a renda fixa e o FGC não é "seguro de vida", o risco não compensa o retorno. Não precisa inventar moda, renda fixa é simples: Tesouro Selic ou CDB DI de bancão (Itaú, Bradesco, Caixa, BB, Santander, BTG Pactual), ponto.
O mercado já está precificando a queda da Selic em 2026. Historicamente, o Ibovespa tem comportamento oposto aos juros, conforme pode ver na imagem abaixo:

A cotação de empresas boas como Itaú (ITUB4), BTG (BPAC11) e Multiplan (MULT3) está bem próxima do topo histórico. Se a Selic realmente cair para dois dígitos baixos, o Ibovespa superar os 200 mil pontos é uma questão de estatística, não de torcida. O fluxo tende a sair da renda fixa para buscar os ativos supostamente mais "arriscados" em busca de mais retorno.
O que pode invalidar a tese de alta em 2026?
Descontrole Fiscal: Se o governo não segurar os gastos, a Selic não cai e a tese dos 200k pontos morre.
Choques Externos: Mais guerras ou uma recessão forte nos EUA drenaria a liquidez dos países emergentes como o Brasil rapidamente.
Em 2025, a Bolsa "machucou" quem buscava atalhos ou oportunidades. 2026 será o ano de quem tem paciência e foco em qualidade. Na verdade, para quem aplica o método Buy and Hold, todo ano é hora de ter paciência e foco em qualidade, esse é o segredo do sucesso na Bolsa de Valores. Lembre-se:
Fuja das empresas em recuperação judicial ou com balanços atrasados.
Mantenha sua renda fixa segura em bancões e Tesouro Selic.
Foque em empresas que crescem e geram valor para os seus acionistas.
1. Por que as empresas estão antecipando dividendos até 2028?
Para travar a isenção tributária atual. Comunicando o dividendo até dezembro de 2025, o lucro acumulado permanece isento da nova taxação que entra em vigor em 2026.
2. O Ibovespa a 200 mil pontos é possível mesmo com o risco fiscal?
É o maior desafio. A tese depende inteiramente da Selic cair para dois dígitos baixos. Se o mercado começar a precificar que o Banco Central vai travar a queda dos juros, o índice deve permanecer lateralizado.
3. Qual o perigo de um CDB pagar 190% do CDI?
O perigo é o banco estar insolvente ou operando esquemas de fraude, como o Banco Master. O prêmio alto indica que o mercado não quer emprestar para aquele banco, forçando-o a pagar taxas irreais para atrair pessoas físicas. Além de o banco ser obrigado a pagar taxas mais altas, ele também é obrigado a cobrar taxas mais altas nos empréstimos, ou seja, o risco de calote é muito alto. A sua renda fixa que te paga 120 ou 130% CDI com "baixo risco", na prática, acaba tendo um risco muito maior do que investir em uma empresa boa na Bolsa de Valores.